quinta-feira, 29 de novembro de 2012

E ela continua lá...


E aí que você pari, a criança sai de dentro de você, é lindo e emocionante, mas quando é chegada a hora de se olhar no espelho, esperando ansiosa pelo reencontro com você mesma, vem o susto: a barriga continua lá, grande, inchada e o que é pior: mole! Desculpe moça grávida, se te assustei com essa declaração. Mas o objetivo é esse mesmo: chamar sua atenção para algo que leva muitas mulheres à depressão e problemas sérios no relacionamento depois de dar a luz.

É claro que tem suas exceções, mas a grande maioria das mulheres demora um tempo para recuperar o corpo. Até lá, a gente passa o maior sufoco com aquelas cintas modeladoras que prometem milagres, mas não são nada sem o acompanhamento de um exercício e alimentação regrada. Mas sinceramente? Nada disso é real. Não é real malhar logo após ter um bebê, não é real comer cheia de restrições enquanto se amamenta e quase não sai de casa. A boa notícia é que amamentar emagrece. E isso é real! Em duas semanas, perdi oito quilos. Mas a barriga continuou lá.

Segundo os médicos, seu útero leva em média 4 meses para voltar ao tamanho normal. Ou seja, esse é mais ou menos o período que você deve dar a você mesma para começar a fazer avaliações. No meu caso, um ano depois, parei realmente para me preocupar com isso. A barriga continua aqui. Menor, claro, mas nada parecida com o que era antes.

Dia desses, passei uma situação inacreditável. Resolvi tirar o horário do almoço para me cuidar. Fiz as unhas e fui me depilar. Ao entrar na cabine da depiladora, tirar a roupa e me deitar, pedi a ela que tivesse cuidado ao passar a cera na cicatriz da cesárea, pois ainda tinha uma sensibilidade maior nessa região. Aí então começou o diálogo surreal:

- Há quanto tempo você teve neném?
- Há quase dez meses.
- Mas você usou cinta?
- Usei um pouco.
- Ah, mas deveria ter usado mais. Sua barriga ainda está grande. Eu, se fosse você, ainda usaria a cinta para tentar diminuir mais. Quando você entrou aqui, até achei que estivesse grávida!

A vontade era de mandar ela para aquele lugar, me vestir e ir embora. Mas respirei fundo, aguentei até o fim, e fui embora arrasada... Sim, ela foi uma insensível e sem noção, mas me falou a verdade. E ter essa noção foi o que me ferrou. Passei dias me sentindo a mulher mais feia e acabada do mundo. Me matriculei numa academia e durante uma semana fiz o esforço de acordar às 6h da manhã, e não para ficar com o Bento, mas para vestir uma lycra e ir fazer localizada - aquela aula mais sem sentido da face da terra. Chegava morta, nem via Bento direito, tomava banho e corria para o trabalho. A noite chegava em casa, colocava Bento para dormir e ia dormir. E assim foi durante cinco dias até eu perceber... Perceber que, por agora, o importante mesmo não era gastar o único tempo que tinha com meu filho durante a semana para perder a barriga. Mas sim estar com ele o máximo que posso. Na primeira manhã sem vestir a lycra, eu malhei no tapete de borracha, de pijama mesmo, brincando de caminhão de carga com o Bento. E que malhação gostosa!!! Isso sim é exercício com sentido. A cada movimento, uma gargalhada deliciosa de recompensa! E foi assim que eu fiz a minha escolha. A escolha de me aceitar e não me condenar tanto. Talvez não por acaso, tenho recebido muitos elogios nos últimos tempos...


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Parabéns Ben Ben!!!


Há um ano eu ganhei novos olhos. Olhos castanhos claros, com cílios fartos, como sempre sonhei! Olhos vivos, ligados em tudo e todos. Ganhei um novo olhar. Há um ano passei a prestar mais atenção nas cores. E percebi como elas dão sentido à vida! Passei a perceber mais na expressão dos rostos e ser mais sensível, então, à tristeza, alegria, apreensão e os mais diversos sentimentos das pessoas que me cercam. Passei a perceber como as folhas são bonitas e o quanto a água é magica! Meus novos olhos me mostram todos os dias que tudo o que preciso para ser feliz está bem aqui, ao meu alcance. E quando eu sinto sono e tenho que fechá-los, eu não quero! Afinal, é tão difícil deixar de olhar tantas coisas bonitas... Mas sem eu perceber, eles se fecham. E quando se abrem novamente, quanta alegria! Lá está esse mundão todo à minha espera para começarmos a olhar tudo outra vez! Eu e meus olhos novos. Eles são pequenos, mas tão mais sábios dos que se aposentaram com 27 anos. Mais precisamente às 18h29, do dia 30 de Outubro de 2011. Foi naquele momento que a vida me deu o Bento de presente e seus lindos olhinhos curiosos, pelos quais agora enxergo o mundo com muito mais prazer. Obrigada meu filho! Parabéns pelo seu um aninho de vida!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Você sabe lidar com as descobertas sexuais de uma criança?

As fotos dessa matéria foram feitas pela fotógrafa Allana Amorim. A futura mamãe da Flora, que deve nascer em dezembro, nos emprestou seu talento e sensibilidade de grávida nesse lindo ensaio. Confira o álbum aqui. 


O que faz você escolher uma creche para o seu filho? Estrutura, limpeza, higiene, equipe e atividades? É com isso que praticamente todos os pais se preocupam na hora dessa escolha difícil. O que quase ninguém pensa é qual a linha dessas instituições. E, principalmente, como a creche lida com a sexualidade infantil. Aí você vai pensar: “Claro que não penso nisso”.  Aí eu que te pergunto “E por que não?”. Afinal, é exatamente nessa idade (entre 0 e 5 anos) que os pequenos fazem o autoconhecimento de seus corpos e também tem curiosidades sobre o corpo dos coleguinhas. É exatamente nessa fase que as perguntas constrangedoras acontecem. E a condução dessas situações irá influenciar muito a vida dessas crianças. 

Mas a questão toda é que mesmo que você perguntasse na creche como eles reagem nesses momentos delicados, poucas teriam a resposta na ponta da língua. A verdade é que grande parte desses profissionais não está bem preparado para encarar a sexualidade infantil de frente. “O comportamento mais comum é fingir que não vê, distrair a criança e não falar sobre o assunto”, conta a psicóloga Virgínia Georg Schindhelm. Há sete anos, ela se “infiltrou” em duas creches para estudar o comportamento dos profissionais da área quando defrontados com assuntos que envolvem sexualidade e gênero. Defendeu uma tese de mestrado e agora termina um doutorado sobre o assunto. O Família do Ben bateu um papo com essa especialista e falamos de tudo um pouco: masturbação, amor, respeito, intimidade, preconceito etc. Veja na entrevista a seguir.

1)      Como você se tornou especialista em sexualidade infantil?

Ao fazer uma especialização em sexologia humana, chamou-me muito a atenção como faltava material sobre a sexualidade infantil. Na busca por um tema para a tese de mestrado, percebi que havia uma lacuna na educação infantil. A grande maioria dos profissionais fez pedagogia e não existe em nenhum momento um espaço para se falar, ler ou discutir sobre isso no curso.  Então achei que seria de grande ajuda um estudo mais profundo sobre a sexualidade infantil no ambiente escolar.

2)      Qual a responsabilidade da creche na formação de uma criança?

O maior desafio do ambiente escolar hoje é o binômio cuidar-educar. É importante parar para pensar: O que a creche faz? Cuida ou educa? E o que é educar? É cuidar também? E quando se cuida se educa também? Quando você troca a fralda de um bebê, você faz isso meramente como um instrumento ou você conversa com esse bebê? Quando você promove essa experiência com uma criança, você não está só cuidando dela, você está criando um vínculo de intimidade, de segurança, respeito, carinho. Você está ensinando a ela que a região genital é uma região mais sensível, que precisa ser tratada com respeito, com carinho. Isso é educar.

3) Na sua tese, você relata um diferencial de uma das creches usadas na pesquisa de campo: havia homens no quadro de cuidadores/educadores. Por que 99% dessas instituições só têm funcionárias mulheres?

A história da educação no Brasil mostra que a feminilização do magistério infantil vem de muitos anos. Eu acompanhei oito rapazes que trabalham em creche e foi muito interessante. O primeiro a chegar relatou que ao contratá-lo, a instituição o apresentou aos pais e explicou que ele participaria de tudo, inclusive da higiene das crianças. Surpreendentemente, na época, apenas uma família não concordou e retirou sua filha da creche.  Para que a adaptação desses funcionários fosse feita, com maior tranquilidade por parte deles e dos pais, ficou decidido que seria feita uma "dobradinha": sempre trabalhariam um homem e uma mulher juntos, principalmente, nos cuidados com o corpo. Alguns anos depois, os pais já reconhecem os benefícios da presença masculina na creche e tem alguns que até reclamam quando não há um educador para a turma de seus filhos. É realmente muito saudável e importante, inclusive, para os meninos, que se identificam.

4)      Com que idade e como uma criança demonstra sua sexualidade?

Quando você tira a fralda de um bebê e ele leva a mãozinha aos genitais, ele acha graça e gosta. Aquilo que nós chamamos de masturbação, eu gosto de chamar de auto exploração ou autoconhecimento. A área genital da criança é muito sensível e que traz muito prazer. Porém, a nossa sociedade ainda é muito tradicional nesses conceitos, de modo que a área genital não é uma área que deva ser tocada ou mostrada. Por isso a masturbação incomoda tanto o adulto. A criança não está fazendo nada para mostrar para o adulto. Ela simplesmente está explorando uma área do corpo que ela sente muito prazer.

5)  Há preocupação de menos, tanto dos pais quanto das instituições, de ter uma ideologia clara de comportamento a ser seguida, assim como acontece nos colégios de ensino fundamental, por exemplo?

Praticamente nenhum pai chega na creche e pede para ver qual a política pedagógica dessa escola. O que muitas vezes os relatos me mostram é que, no fim do dia, os pais reclamam porque o filho está indo para casa sujo, mas não se interessam em saber qual o trabalho e atividades foram feitos naquele dia. Se elas forem bem higienizadas, bem alimentadas, os pais acreditam que a criança está bem cuidada. E isso é um equívoco. É muito importante que os pais cobrem uma proposta pedagógica das instituições. Escolas de educação infantil sérias têm projetos políticos pedagógicos muito sérios e bem elaborados. 

6)   Em trecho de seu trabalho você fala sobre a imposição de valores sobre as crianças. ainda é notória a existência de uma política detentora do saber e do poder que submete a cultura infantil à cultura do adulto pressupondo e prejulgando o que os pequenos podem/não podem saber e o que devem/não devem fazer. Nas relações de poder que perpassam pelos adultos e crianças, nossa sociedade ainda impõe valores e ideologias de uma cultura sem o respeito à natureza infantil, às suas necessidades e aos seus interesses”. Como podemos evitar esse comportamento?

Um exemplo dessa relação foi uma aula de artes que presenciei. As crianças tinham que criar árvores. A educadora disponibilizou pedaços de papel marrom para que eles fizessem os troncos e pedaços de papel verdes para que fizessem as folhas. As árvores, claro, saíram todas iguais. Aí é o momento de parar pra pensar: Por quê? Todas as árvores têm troncos marrons e folhas verdes? Não se deu elementos para essas crianças criarem. Não é você quem tem que resolver qual é a cor da árvore. Outro exemplo: uma professora distribuiu folhas com desenho para as crianças colorirem. Antes de elas pintarem, a professora ensinou que a grama era verde, o sol amarelo e as nuvens azuis. Uma das crianças pintou as nuvens de preto. A professora disse que estava errado e mandou-o fazer de novo. Mas ele voltou a entregar a mesma nuvem preta. Foi então que eu perguntei a ela: “Fulana, que cor são as nuvens quando chove? Elas não podem mesmo ser pretas?”. Então ela resolveu aceitar o desenho. Temos que ter a sensibilidade de não passar essas verdades construídas. Deixar a criança criar.

Muitos educadores entram na relação pedagógica com apenas a intenção de ensinar e não se abrem para aprender com essas crianças. E ensinam o que afinal? Que a nuvem só pode ser azul ou que a árvore só pode ser marrom e verde? Não é por aí. Muitas vezes você mostra figuras para uma criança, que para você são obvias, e a criança tem uma interpretação totalmente diferente. Por que você não pode aprender com elas e saber o que elas querem dizer?

7)   Muitos pais desconfiam da educação feita na base do diálogo, por achar que essa liberdade não combina com disciplina. Como diálogo e disciplina podem caminhar juntos?

O conceito de disciplina vem de um ranço histórico. Os primeiros modelos de escola que nós tivemos foram as jesuíticas, onde os eclesiásticos ensinavam o conteúdo que considerassem adequado. Eles que construíam como queriam a moral de uma criança. Esse modelo ainda perdura até hoje, por isso a árvore só pode ser marrom e verde a nuvem tem que ser azul. É aquilo que chamamos de conteudista, ou seja, quanto mais conteúdo você ensina para a criança, mais ela sabe. A questão é: sabe mesmo? Eu aprendo números, nomes, datas e o que mais? São modelos onde espaço para pensar, criar e refletir não existe. O método do “eu ensino e você fica aí quieto”. Eu já vi escolas de educação infantil onde a criança que acaba o trabalhinho, entrega para a professora, volta para o seu lugar, cruza os braços e baixa a cabeça. “Não é a sua hora de falar, você levanta o dedo e na sua hora eu chamo”. Mas quando a criança tem uma ideia na cabeça, ela quer mostrar. Se você esperar dez minutos, ela esquece. E você perde uma grande oportunidade de ouvir. A disciplina não vai por aí. O fato de você dar voz para essa criança não quer dizer que ela é indisciplinada. A educação infantil precisa dar esse espaço para as crianças. Quando ela é respeitada e é ouvida no momento que quer falar, ela também vai saber ouvir.

8) A maioria dos educadores de frente para uma situação em que a sexualidade infantil se expõe, como a masturbação, por exemplo, finge que não vê e não fala sobre o assunto. O que tem de errado nesse comportamento?

Esse assunto com certeza é um dos que mais angustiam os educadores. Eu começo sempre dando um exemplo: se você tem uma criança que faz um cachinho no cabelo e que fica horas enrolando o cabelinho, aquilo é uma forma de prazer. Você nega isso a essa criança ou você diz “tira a mão daí?”? Não. Mas se ele toca nos seus genitais, na grande maioria das vezes, você finge que não vê ou você manda tirar a mão. Fora os que gritam e etc. Não existe uma maneira certa para todo mundo, mas eu sugiro que em primeiro lugar você mostre que você está vendo. Quando você finge que não vê, ela sabe que você está vendo e isso pode ser mal interpretado. Em segundo lugar, eu digo que temos que ter naturalidade para falar com a criança sobre isso. Usarmos o mesmo tom de quando falamos sobre outros assuntos. “Eu estou vendo que você está fazendo uma coisa que você está gostando”. Conversa, fala baixinho. Se ela sentir que você não está brigando, está vendo o que ela está fazendo e está respeitando, você cria um canal de intimidade com essa criança extremamente importante. Assim, quando ela tiver qualquer questão, ela virá a você pra falar.

9)      E o que fazer quando encontramos duas crianças se tocando entre si?

Em primeiro lugar é entender que a criança não tem maldade. Ela tem curiosidade. Há muitos pais que se incomodam ao saber que seus filhos homens, por exemplo, tocam outros meninos. Nesse momento, é importante ficar calmo, não brigar, mas conversar.
É mais comum encontrar os meninos nessas situações e isso não quer dizer que de maneira nenhuma que essa criança seja homossexual. Na nossa cultura o tamanho do pênis está sempre associado a uma virilidade. É comum que os meninos de 3 ou 4 anos já abaixem as calças para comparar os tamanhos.  Então ao se deparar com essa situação, o diálogo é sempre o melhor caminho.

10)   Pais e creche devem dialogar sobre isso?

A parceria com os pais é sempre muito positiva. É importante que eles saibam como a creche lida com isso, inclusive para ajudá-los também a conduzir essa situação em casa. E esse alinhamento é muito importante também para não confundir a criança.

11)   O que as creches devem fazer para preparar melhor seus profissionais?

A proposta de uma formação continuada é um primeiro passo. Um momento em que você dá espaço para que educadores falem sobre todas essas questões que eles vivenciam na creche, sejam de gênero, sexualidade ou mesmo de respeito. Muitas vezes, quando chego nas creches para essas conversas sou recebida com alívio. “Nossa, ainda bem que você apareceu para podermos falar sobre isso”. Deve-se investir na formação continuada, já que na formação os pedagogos não têm isso. No caso dos psicólogos que trabalham nessas instituições, o que existe no curso é a parte teórica.  Mas do que adianta eu saber que existem as fases oral, anal, período de latência em algumas situações? O que eu faço com isso quando a criança esta se masturbando? Ou o que eu faço quando a criança abaixa a calça do outro para manipular os genitais do outro? Ou quando as crianças se beijam na boca? “Ah, será que a criança está na fase oral? Não, mas a fase oral era de 0 a 2 anos”. Tá e aí? O educador quer uma resposta. O que eu faço? Por outro lado eu digo. Não existe uma regra. No fundo as crianças são diferentes, as experiências que elas vivem são diferentes. Mas se o educador se sente mais seguro, tendo clareza dos conceitos, tentando identificar naquilo que a criança está fazendo como algo simples, de curiosidade, de prazer com ela mesma, desmistifica. E eu tenho na minha tese relatos do quanto isso muda. Não fica pensando se está certo ou tá errado. Naquele momento foi legal pra você, foi legal para a criança. Então ótimo, é isso. Não quer dizer que com outra criança dará certo.

12)   Agora, uma dica para os pais e educadores. "De onde eu vim?”. Em algum momento essa pergunta vai chegar. Qual a melhor maneira de explicar isso a uma criança?

Eu sempre enfatizo a importância de falar a verdade para as crianças, de maneira clara e objetiva. Tipo: "você nasceu da barriga da mamãe" e acrescento que é sempre bom ilustrar esta fala com uma imagem. Pela imagem a criança não fantasia e entende melhor. Ou ainda "você veio de um gostoso namoro/amor/carinho entre o papai e a mamãe" e procure mostrar essa imagem. 


13)   Como esses sete anos de especialização mudaram sua vida?

Aprendi a importância de escutar a criança e isso me ajudou a desconstruir uma série de pré-conceitos, tabus e mitos que eu mesma tinha. Porque eu também venho de uma cultura escolar e familiar tradicional. Esse aprendizado só me fez lamentar uma coisa. Gostaria que isso tivesse acontecido antes na minha vida. Eu poderia ter criado meus filhos de uma forma diferente. Hoje, eu procuro lidar com o meu neto, dentro das minhas possibilidades, de uma forma diferente. As crianças estão aí para nos fazer ver o mundo de uma forma diferente. 


Vírgínia é pesquisadora da UFF/CNPQ e atende em eu consultório como psicóloga, sexóloga e terapeuta sexual. É esposa de Erwin, mãe de Vivian e Richards, e vó dedicada de Thomas, um menininho esperto que adora fazer perguntas.



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O mito do bebê que dorme a noite inteira

Já cheguei ao meu limite físico e emocional de madrugada. As noite mal dormidas acabam comigo. Nesses 10 meses já tivemos altos e baixos. Noites em que Bento acordou apenas uma vez, noites em que ele acordou cinco vezes. E duas, apenas duas noites que ele dormiu de meia noite às 6h. É, acreditem, essas foram nossas melhores noites nos últimos meses. E a angústia de não ver um fim para isso é de matar. 

Bento é um bebê incrível. Cheio de personalidade e sorrisos, ele só nos traz alegria até que anoitece... Ele não custa para pegar no sono. Às 21h já está cambaleando e é difícil segurá-lo por mais tempo acordado. O problema é que nós já sabemos que algumas horas depois ele vai despertar. Vai chorar, vai querer algo que não sabemos o que é. Na dúvida e com sono, muito sono, damos leite. Na maioria das vezes, ele volta a dormir. Mas daqui algumas horas ele vai despertar novamente. Provavelmente ainda não serão nem 6 horas da manhã quando ele resolverá acordar de vez. 

É uma luta. A batalha de não dormir e ter que estar de pé e ligada para o trabalho durante o dia é algo que não sei como consegui levar até aqui. E não tenho a menor ideia de como vou continuar levando. E sem querer ofender ninguém, pra mim, até que Bento me prove o contrário, mãe que diz que o filho bebê dorme a noite toda mente (ou tem um conceito de "noite inteira" diferente do meu). Nos primeiros meses de vida então, é mentira lavada. Até porquê todo mundo sabe que bebê recém-nascido dorme muito, mas precisa se alimentar de três em três horas. E eu confesso: toda vez que escuto a frase "Ah, meu filho sempre dormiu a noite toda", eu sinto um misto de inveja, raiva, ódio e admiração, entre outras coisas. 

E, claro, a declaração sempre vem acompanhada dos conselhos dessas mães exemplares que conseguem fazer seus filhos dormirem a noite toda, o que, definitivamente, não é o meu caso. Seguem algumas das dicas que eu já tentei seguir e o resultado delas com o meu filho.

1 - Coloca camomila na água do banho da noite.

Não fez efeito.

2 - Dê uma mamadeira para ele dormindo, quando você for deitar.

Simplesmente não mamou. Insistindo, ele acorda chorando. 

3 - Bote ele no berço, conte uma história em tom de voz baixo.

Fica em pé no berço e quer interagir com a história, dando gritos, o que o deixa mais agitado.

4 - Ao acordar de madrugada, chorando, vá no berço e explique para ele que é hora de dormir.

Ele continua chorando, chorando, chorando.

5 - Nada dando certo, coloque na sua cama.

Ele dorme e a gente não. 

Me pergunto todos os dias o que fiz de errado. E já cheguei a algumas conclusões. Uma delas é que as milhares de viroses que Bento teve nos primeiros meses de vida nos fizeram ter medo de deixá-lo chorando no berço. Vai que ele está sentindo algo? Acostumamos mal. Fizemos tudo o que os especialistas condenam: ninamos no colo, fizemos carinho, colocamos na nossa cama, demos leitinho. Aí, agora, que ele está bem e saudável, continua querendo colinho, carinho e leitinho para dormir. Mesmo que isso seja às 2h, 3h, 4h da manhã. 

Aí você pensa: a questão agora é como reverter isso. Só que na verdade eu e Bruno já cansamos dos livros, dos especialistas, das dicas e de tudo mais. Chegamos num ponto que achamos mais simples aceitar que nosso filho não dorme a noite toda e pronto. Aí a questão virou outra: como viver sem dormir?

Café e banho gelado têm sido bons aliados. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O poder da Galinha Pintadinha

Já experimentou jogar no google o título desse post? Joga lá "o poder da galinha pintadinha" e veja o que acontece. São centenas de vídeos de bebês e crianças totalmente hipnotizadas! Uma atenção especial para a Valentina (o primeiro vídeo da lista). A bebê, que está aos berros, muda seu humor da água para o vinho ao ouvir os primeiros sinais de "Meu pintinho amarelinho...".


É realmente intrigante. Achei que já fosse encontrar algum tipo de estudo de pedagogos  ou psicólogos sobre o fenômeno, mas nada achei pela internet. E olha que merecia uma bela pesquisa (fica a dica!). Para quem não conhece, são desenhos primários, coloridos, bem simples. Um grupo de criancinhas que dançam e cantam cantigas infantis conhecidas por nossos pais e avós. A Galinha Pintadinha é simplesmente uma galinha azul com pintinhas brancas que é casada com o galo carijó e tem muitos pintinhos. De alguma forma ela é inserida nas canções, mesmo que não se fale em galinha. Simples assim. E talvez esteja aí o grande trunfo. Como uma amiga disse outro dia, a Galinha Pintadinha é o contrário de todas essas mil tecnologias criadas para acalmar bebês no mundo moderno. É simples como as crianças. Eles se entendem e talvez essa tenha sido a grande sacada. 

Bom, seja lá qual for o poder da galinha, o fato é que não há nada mais eficiente para cessar o choro de uma criança. E não só isso, deixá-la feliz, sorridente e até batendo palmas! Apesar disso, eu confesso que durante um período vivi um conflito interno. Nunca quis que Bento ficasse muito tempo em frente à TV. Não acho saudável. Mas aí ele vai crescendo e os escândalos crescem na mesma proporção. De repente, sem perceber, você passa a assistir Galinha Pintadinha 5 vezes ao dia. Eu, então, resolvi me policiar e dar limites para a galinha lá em casa. "Chega! Não é possível que a criança só se acalme com isso. Vamos conversar com ele. Ter mais paciência e esquecer dessa galinha um pouco".

Mas aí seu filho acorda às 4h da madrugada berrando. Nada, absolutamente nada, faz ele parar. Zumbi de sono, você não pensa nem duas vezes. Bota o dvd pra tocar. É instantâneo: Bento pára, pega a chupeta, deita no meu colo e em 3 minutos dorme de novo. Nessa hora (em especial madrugadas), todo o papo de overdose de TV e mais atividades educativas vão pelo ralo. É assim que grande parte das mães se dão por vencidas e a Galinha Pintadinha passa a fazer parte de sua vida como um anjo, por tornar seu sono e outras atividades possíveis, ou como um mantra diabólico que não sai da sua cabeça por nada! "MAMAMAMAMA, PAPAPAPAPA, QUIQUIQUIQUI, CACACACACA, HEY!" 

sábado, 8 de setembro de 2012

Perdas Necessárias

Por Vanessa Klevenhusen


Somos indivíduos que já começamos a vida com uma perda, pois ao nascermos saímos daquele lugar quentinho, aconchegante e silencioso que é o útero e somos lançados para um mundo que, num primeiro momento, é barulhento, frio e desconfortável. Chegando neste lugar diferente, iremos viver num estado de identificação completa com a nossa mãe. Essa conexão original de um estado de prazer indescritível é a ligação umbilical, a identificação biológica que se dá no útero. Fora do útero mantemos essa sensação ilusória e muito gratificante de compartilhar com nossa mãe uma fronteira comum. 

É verdade que não temos qualquer tipo de lembranças conscientes de quando estávamos no útero de nossa mãe, e nem mesmo quando o deixamos. Mas é real que um dia esse útero foi nosso e que tivemos que deixá-lo. E, apesar de estarmos entrando neste jogo cruel de desistirmos do que amamos para crescer e, embora esse tipo de atitude precise ser repetido a cada novo estágio de desenvolvimento; talvez essa seja a nossa primeira e certamente mais difícil renúncia. “A perda, o abandono, a desistência do paraíso”. (Viorst, Judith, Perdas Necessárias, São Paulo, Melhoramento, 2005, pg. 33).

Essa primeira perda é necessária para entrarmos nesse mundo dos neuróticos. A partir dela, iremos vivenciar outros tipos de perdas como separações, frustrações, mortes que, muitas vezes, são imprescindíveis para o nosso desenvolvimento como indivíduo. Nesses momentos difíceis do nosso cotidiano gostaríamos que nossa mãe não nos deixasse sofrer. Mas evitar o sofrimento ou mesmo o trauma de uma criança não lhe falando sobre um acontecimento grave que lhe diga respeito é causar uma dor ainda maior. A verdade, mesmo sendo dura e evocando tristeza é sempre melhor que o não dito. O que destrói uma criança é sempre o que não lhe é falado, pois ela sempre sabe, mesmo que intuitivamente, a verdade.

É importante entender que até os 9 anos a criança é extremamente sensível e intuitiva, pois ela está  na fase de latência e isso faz com que todas as energias da criança sejam empregadas no sensorial das mãos, dos ouvidos, dos olhos, do corpo e da inteligência como um todo. Essa maior sensibilidade da criança nas mãos, nos olhos e nos ouvidos é bastante reduzida na puberdade, pois um impulso de energia vai para a genitália, desertando, assim, essa sensibilidade sensorial. É possível ver isso também em pessoas que ficam cegas. Essas pessoas passam a ter mais sensibilidade em outros órgãos para compensar a falta da visão.

Pela linguagem, as crianças são capazes de apreender informações através da forma como o adulto as expressa, ou seja, através do corpo. Mas, apreender não é o mesmo que compreender, pois, para a criança compreender ela precisa de um adulto que lhe fale o que está acontecendo. Caso contrário ela usa a sua imaginação para entender, por exemplo, porque sua avó não a visita mais. Os adultos sabem que a avó morreu, mas a criança pode imaginar que sua avó a abandonou e não gosta mais dela e, por isso, os adultos estão tão tristes.

Então, como devemos reagir com uma criança quando em nossa família a mãe ou um parente muito próximo se suicida? Seguindo nossa linha de raciocínio o importante é dizer a verdade. Claro que a forma de comunicação com a criança precisa ser adequada à sua faixa etária, mas é preciso que ela saiba do acontecido. Sabemos que falar imediatamente nem sempre é possível, seja porque não temos estrutura emocional e psicológica, ou porque não sabemos como dizer o que aconteceu, sendo preciso elaborar tudo para então falar com a criança. Sendo assim, não há uma data específica para que a criança saiba, pode ser dito imediatamente ou após 8 dias ou 15 dias ou um mês, o importante é que a desgraça seja dita. E quando for comunicar à criança diga a ela claramente:

- Ele morreu.

- Mas como?

- Isso se chama suicídio.

- Mas o que isso quer dizer?

- Não estou conseguindo falar sobre isso com mais detalhes agora, estou muito triste, podemos conversar melhor, em outro momento, ou então pergunte para seu pai, ou seu Tio, que talvez eles estejam podendo falar sobre isso agora.


É importante que o desejo da criança seja justificado e que ela possa abrir a possibilidade para esclarecer as suas dúvidas com outras pessoas. E nós adultos podemos sim dizer o quanto estamos tristes e o quanto não estamos conseguindo falar sobre o assunto ainda.


Imaginemos outro caso. A criança está na época de férias quando sua avó materna morre. Essa é uma avó muito querida e muito presente na vida dessa criança, por isso, os pais preferem não contar nada à criança para não estragar as suas férias. Os pais estão arrasados, em seus rostos pode-se ver a tristeza estampada, mas eles acreditam que conseguem esconder da criança tudo que está acontecendo.


Quando esta criança volta de férias ela quer ver a avó, mas os pais estão sempre inventando uma desculpa:


- Bem, não dá, a sua avó está no hospital.


E depois ela está sempre no hospital. O Natal se aproxima, a criança quer chamar a avó para passar o Natal com a família e então mais uma desculpa é inventada:


- Ah, não a sua avó está muito cansada.

- Mas, posso ligar para ela?

- Não, melhor não, pois ela pode se cansar.


E a coisa vai se arrastando dessa forma e pouco a pouco se abre um fosso e a criança se deprime.


Esse tipo de história onde as pessoas negam a morte de alguém próximo, seja avó, ou um amigo, ou mesmo um animal de estimação traz um grande sofrimento para a criança. “E essas crianças começam lentamente a perder a vitalidade porque não dispõem das palavras para dizer onde está a sua tristeza. Há nelas algo intenso que é desvitalizado. É preciso, pois, contar-lhes a verdade imediatamente”. (Dolto, Francoise, Tudo é linguagem, São Paulo, Martins Fontes, 2002, pg. 59).


Quando se diz a verdade para a criança ela consegue simbolizar, representar a dor, seja através de desenhos, fantasias, imaginações, dramatizações. Sendo assim é preciso falar sobre a dor para que esta seja resignificada e a criança não caia em um vazio, onde não consegue dar nome aos seus sentimentos. É preciso que o luto seja vivido e não negado, pois o sofrimento e a perda são sempre muito necessários para o nosso crescimento como indivíduo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Amamentar ou não - Sem culpas!

Desde que tive o Bento, uma das coisas que futuras mamães mais me perguntam é sobre a amamentação. As dúvidas são muitas e eu não costumo fazer rodeios. Falo da minha experiência com franqueza, sem medo de julgamentos alheios. Até porque se tem uma coisa que, na minha opinião, prejudica a amamentação é a falta de informações verdadeiras sobre ela. Afinal, nós somos induzidos a acreditar por filmes e campanhas publicitárias que vamos colocar nosso bebê no peito e ele vai mamar, mamar e mamar feliz da vida e todos seremos felizes para sempre. E, definitivamente, não é assim que as coisas acontecem. 

Pode ser até que gere polêmica, mas a minha opinião sobre as campanhas de incentivo a amamentação não é muito positiva. Acredito sim no poder do leite materno, até porque milhares de pesquisas comprovam isso, mas acho um equívoco você pressionar as mulheres a fazê-lo. Porque pode não parecer, mas é assim que muitas se sentem: pressionadas pela sociedade que acredita que mãe que não dá o peito não é mãe. E isso torna tudo tão mais difícil. 

Eu conheço mulheres que não conseguiram amamentar por diferentes razões. Uma delas, por ter o bico do seio invertido, o que significa que o mamilo da mulher não tem um formato que facilita a sucção do bebê. Essa situação é muito mais comum do que se imagina e muitas mães que passam por isso vivem momentos difíceis até aceitarem que não poderão amamentar. "Você se sente uma incapaz. É horrível. As pessoas insistem para você continuar tentando, enquanto o seu filho morre de fome por não conseguir sugar nada", conta uma mãe que não quis se identificar. Veja só, ela tem até vergonha de dizer aos outros que não amamentou. Depois de muito relutar, essa mãe foi orientada a tirar seu leite com uma bomba e oferecer em uma mamadeira a seu bebê. "Foi uma libertação para mim e para ele", descreve. 

Minha experiência com o Bento foi de muita dor nos primeiros dias. Mas muita dor mesmo.  Meu peito ficou ferido e eu fui atrás de todos os métodos para superar aquele momento difícil. As conchas de silicone foram as primeiras aliadas. Com elas, seu bico não encosta no tecido do sutiã e tem tempo de cicatrizar entre uma mamada e outra. Depois descobri o bico de silicone. Você coloca em cima de seu bico e o bebê suga por ele, sem encostar no local machucado, também dando mais tempo para a cicatrização. As pomadas não foram muito eficazes no meu caso - nem mesmo a gringa lansinoh. Mas com todos esses métodos foi possível aguentar a dor e após duas semanas de sofrimento, o ato de amamentar se tornou bastante prazeroso para ambos. Mas conheço mulheres que não conseguiram passar por esse momento. Já ouvi casos de bicos que ficaram pendurados! E quem é que vai julgar? 

Uma vez ouvi um depoimento muito interessante de uma mulher que tinha superado um câncer de mama e depois engravidou. "Amamentar não se resume em dar o peito ao bebê. O ato de alimentar seu filho é o que cria o laço. Eu posso não dar o seio, mas eu o alimento no colinho com todo o carinho e cuidado que uma boa mãe precisa ter nesse momento único". Achei essa colocação perfeita. Nós já estamos cansadas de saber os benefícios do leite materno, mas e os benefícios de se alimentar nosso filho em paz, com tranquilidade? Se por algum motivo, você não pode dar seu seio para seu bebê, não se culpe. E pais, por favor, não julguem suas mulheres! Compreendam que o bem estar da mãe significa o bem estar do filho. 


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O melhor dos mundos é você quem faz - Creche ou babá?

Amoxil, Claritromicina, Predsim, Berotec, Atrovent, Trobex, Tylenol, Novalgina, Clenil A, Therason, Hixizine, Allegra etc. Se identificou? Então se não for pediatra, muito provavelmente é mãe de um bebê. E deixa eu adivinhar... Ele está na creche??? Pois é... Eu sei bem o que é isso. Bento já tomou todos esses remédios e mais alguns  (e olha que não tem nem um ano!). 

Colocamos ele na creche com apenas 4 meses e meio. É, foi cedo, mas eu precisei voltar a trabalhar e  ter uma babá nunca foi uma opção. Não tínhamos ninguém de total confiança e nos parecia muito estranha a ideia de deixar Bento aos cuidados de alguém que nós não conhecíamos. Isso sem falar nas inúmeras histórias de babás cruéis que a gente escuta por aí. Já a creche tem uma lista de vantagens: São várias pessoas, e não uma só, dividindo a paciência e tolerância necessárias. A creche tem um nome a zelar, ou seja, é mais difícil fazer algo errado com seu bebê. Ao invés de deixar seu filho na frente da TV 80% do dia com uma babá, na creche há pedagogos criando mil atividades educativas para bebês que convivem e interagem com bebês! Bento entrava sorrindo e saía sorrindo, alimentado e de banho tomado. Parece o melhor dos mundos, se não fossem as viroses... 

O pesadelo já começou no primeiro mês de creche. Uma tosse tão forte que o fazia vomitar. Bronquiolite. Primeira vez na emergência. Duas na mesma madrugada. E era só o começo. Depois vieram mais e mais viroses, otite, conjuntivite... E haja nebulização! É bem assustador. A cada consulta com a pediatra - que a essa altura vira a pessoa mais presente em sua vida - as receitas eram cada vez maiores, e a caixa de remédios impressionava. 

Aos oito meses do Bento nos vimos obrigados a tomar uma decisão difícil: Era preciso tirá-lo da creche e achar uma babá. Num primeiro momento, hesitamos. Mas a cada vez que olhávamos para nosso pequeno com o nariz todo entupido, peitinho ofegante, com aquela lista de remédios em volta... O coração dizia que não tinha mais jeito. Por um mês, um esforço coletivo das avós deixou Bento em casa. E de repente nosso bebê virou um menino esperto, sem catarro no nariz, sem chiado e faminto! Não nos restou dúvidas... Fomos em busca de uma babá, mas com determinadas regras. Não queríamos uma pessoas para dormir e nem passar o fim de semana com a gente. A babá estaria ali apenas nos momentos em que não podíamos estar, do contrário, nós queríamos continuar cuidando de nosso filho. Além disso, era preciso incluir atividades em seus dias. Brincadeiras, música, parquinho e etc. 

Semana q vem, completa um mês que Diléia e Bento se conheceram e as coisas estão indo muito bem! A emergência não faz mais parte de nossas vidas (amém), a caixa de remédios está guardada no fundo do armário! E nosso pequeno aparece a cada dia com uma novidade! É "parabéns", "índiozinho', "dancinha", "abraço", "beijo" (é a Di arrasando nas atividades!)!

Não sou contra a creche, muito pelo contrário. Bento voltará para a dele assim que acharmos prudente. Mas acho importante mostrar para os pais que estão sofrendo com as viroses que a opção "babá" pode não ser um bicho de sete cabeças. E apesar das pessoas ficarem dizendo "isso passa, é fase, tem que pegar virose mesmo", só cabe a nós pais decidirmos até onde ir. Reconhecer e assumir os nossos limites e de nosso bebê, mesmo que esses sejam diferentes da maioria , é sempre muito saudável para toda a família.  

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sem obrigações - uma nova proposta

Eu tive a ideia desse blog em março, quando ainda tinha só uma vaga noção do que se tornaria minha vida com a presença do Bento. Em suma, abandonei o projeto quando ele nem mesmo tinha começado. A proposta inicial, como explico aqui, era publicar histórias de diferentes famílias. Mas o fato é que não tenho tempo para me deslocar e entrevistar as pessoas. Pelo telefone então, é ainda mais difícil. Por isso, resolvi mudar um pouco. Sinto uma necessidade enorme de dividir certos momentos da maternidade. Até porque acredito que pais podem e devem se comunicar. Essa troca de informações sempre ajuda, acalma. Eu mesma já busquei blogs de mães e pais por aí para entender melhor o que se passa com minha família. E em muitos casos, as informações foram de grande serventia. E no meio desses textos, revelações ou até desabafos, espero conseguir publicar histórias de outras famílias. Mas nada com obrigação. Afinal, tudo o que eu não preciso nesse momento é de mais uma obrigação em minha vida. 

terça-feira, 27 de março de 2012

Palavra de especialista

Esse é um espaço criado para nos fazer refletir. Vanessa Klevenhusen é psicóloga - especialista em psicologia clínica com criança, adolescente e adulto - e terapeuta reichiana corporal. Atualmente, ela faz parte da equipe de educadores da Escola Alemã Corcovado, no segmento da educação infantil e no consultório atendendo crianças, adolescentes e adultos.

Seus textos, focados no relacionamento familiar e educação infantil, sempre me encantam e influenciam. Estou muito feliz de poder trazer as palavras dela para o Família do Ben. Tenho certeza que irá nos ajudar muito nessa busca constante pelos acertos na educação de nossos filhos. 

Para entrar em contato: vanessaklev@yahoo.com 

segunda-feira, 26 de março de 2012

O que é o Família do Ben?

Exatamente nesse minuto, cerca de 180 bebês* estão nascendo no mundo. Isso quer dizer que 360 pessoas estão dando a maior virada de suas vidas. E se você fizer as contas, chegará ao incrível número de quase 190 milhões de pessoas por ano sendo pais e mães.
É triste saber que uma boa parcela desses bebês não terá uma família. E não falo só de crianças órfãs ou abandonadas. Incluo aí também as crianças que têm pais, mas não têm o afeto deles. A gente sabe que não é fácil. Desde os cuidados com o bebê até a educação de crianças, pré-adolescentes etc. Dá trabalho, gasta dinheiro e nos faz abdicar de muitas coisas. Mesmo assim, muitas pessoas desejam profundamente um filho, se dedicam a ele, amam intensamente. 
Foi inspirada nessas famílias, e no meu filho Bento, que criei o Família do Ben. Aqui, pretendo contar um pouco dessas histórias. Pais que enfrentam os desafios fazendo o seu melhor para que suas crianças se tornem adultos do bem.

A ideia é trazer à tona discussões que nos façam refletir e que a experiência dessas pessoas ajudem outras. Os personagens envolvidos disponibilizarão um email para contato. Afinal, nós sabemos que a vida com filhos é cheia de obstáculos e muitas vezes não há nada mais reconfortante do que encontrar alguém que já vivenciou exatamente as mesmas coisas que você.
Espero que as histórias inspirem, emocionem, confortem e que, juntos, possamos criar nossos filhos cada vez melhor!

*Fonte: Organização das Nações Unidas (ONU). 2005

A logo

  


O design do blog foi criado pelo amigo Cícero Sydronio. Ilustrador do maior talento, ele conseguiu traduzir o conceito do Família do Ben perfeitamente através do coração com pai, mãe e filho dentro. Apesar de termos colocado o símbolo com a tradicional formação familiar, ele pode e deve ser adaptável às diversas formações familiares. Afinal, nós sabemos que o que realmente importa é o amor.