E aí que você pari, a criança sai de dentro de você, é lindo e emocionante, mas quando é chegada a hora de se olhar no espelho, esperando ansiosa pelo reencontro com você mesma, vem o susto: a barriga continua lá, grande, inchada e o que é pior: mole! Desculpe moça grávida, se te assustei com essa declaração. Mas o objetivo é esse mesmo: chamar sua atenção para algo que leva muitas mulheres à depressão e problemas sérios no relacionamento depois de dar a luz.
É claro que tem suas exceções, mas a grande maioria das mulheres demora um tempo para recuperar o corpo. Até lá, a gente passa o maior sufoco com aquelas cintas modeladoras que prometem milagres, mas não são nada sem o acompanhamento de um exercício e alimentação regrada. Mas sinceramente? Nada disso é real. Não é real malhar logo após ter um bebê, não é real comer cheia de restrições enquanto se amamenta e quase não sai de casa. A boa notícia é que amamentar emagrece. E isso é real! Em duas semanas, perdi oito quilos. Mas a barriga continuou lá.
Segundo os médicos, seu útero leva em média 4 meses para voltar ao tamanho normal. Ou seja, esse é mais ou menos o período que você deve dar a você mesma para começar a fazer avaliações. No meu caso, um ano depois, parei realmente para me preocupar com isso. A barriga continua aqui. Menor, claro, mas nada parecida com o que era antes.
Segundo os médicos, seu útero leva em média 4 meses para voltar ao tamanho normal. Ou seja, esse é mais ou menos o período que você deve dar a você mesma para começar a fazer avaliações. No meu caso, um ano depois, parei realmente para me preocupar com isso. A barriga continua aqui. Menor, claro, mas nada parecida com o que era antes.
Dia desses, passei uma situação inacreditável. Resolvi tirar o horário do almoço para me cuidar. Fiz as unhas e fui me depilar. Ao entrar na cabine da depiladora, tirar a roupa e me deitar, pedi a ela que tivesse cuidado ao passar a cera na cicatriz da cesárea, pois ainda tinha uma sensibilidade maior nessa região. Aí então começou o diálogo surreal:
- Há quanto tempo você teve neném?
- Há quase dez meses.
- Mas você usou cinta?
- Usei um pouco.
- Ah, mas deveria ter usado mais. Sua barriga ainda está grande. Eu, se fosse você, ainda usaria a cinta para tentar diminuir mais. Quando você entrou aqui, até achei que estivesse grávida!
A vontade era de mandar ela para aquele lugar, me vestir e ir embora. Mas respirei fundo, aguentei até o fim, e fui embora arrasada... Sim, ela foi uma insensível e sem noção, mas me falou a verdade. E ter essa noção foi o que me ferrou. Passei dias me sentindo a mulher mais feia e acabada do mundo. Me matriculei numa academia e durante uma semana fiz o esforço de acordar às 6h da manhã, e não para ficar com o Bento, mas para vestir uma lycra e ir fazer localizada - aquela aula mais sem sentido da face da terra. Chegava morta, nem via Bento direito, tomava banho e corria para o trabalho. A noite chegava em casa, colocava Bento para dormir e ia dormir. E assim foi durante cinco dias até eu perceber... Perceber que, por agora, o importante mesmo não era gastar o único tempo que tinha com meu filho durante a semana para perder a barriga. Mas sim estar com ele o máximo que posso. Na primeira manhã sem vestir a lycra, eu malhei no tapete de borracha, de pijama mesmo, brincando de caminhão de carga com o Bento. E que malhação gostosa!!! Isso sim é exercício com sentido. A cada movimento, uma gargalhada deliciosa de recompensa! E foi assim que eu fiz a minha escolha. A escolha de me aceitar e não me condenar tanto. Talvez não por acaso, tenho recebido muitos elogios nos últimos tempos...
- Há quanto tempo você teve neném?
- Há quase dez meses.
- Mas você usou cinta?
- Usei um pouco.
- Ah, mas deveria ter usado mais. Sua barriga ainda está grande. Eu, se fosse você, ainda usaria a cinta para tentar diminuir mais. Quando você entrou aqui, até achei que estivesse grávida!
A vontade era de mandar ela para aquele lugar, me vestir e ir embora. Mas respirei fundo, aguentei até o fim, e fui embora arrasada... Sim, ela foi uma insensível e sem noção, mas me falou a verdade. E ter essa noção foi o que me ferrou. Passei dias me sentindo a mulher mais feia e acabada do mundo. Me matriculei numa academia e durante uma semana fiz o esforço de acordar às 6h da manhã, e não para ficar com o Bento, mas para vestir uma lycra e ir fazer localizada - aquela aula mais sem sentido da face da terra. Chegava morta, nem via Bento direito, tomava banho e corria para o trabalho. A noite chegava em casa, colocava Bento para dormir e ia dormir. E assim foi durante cinco dias até eu perceber... Perceber que, por agora, o importante mesmo não era gastar o único tempo que tinha com meu filho durante a semana para perder a barriga. Mas sim estar com ele o máximo que posso. Na primeira manhã sem vestir a lycra, eu malhei no tapete de borracha, de pijama mesmo, brincando de caminhão de carga com o Bento. E que malhação gostosa!!! Isso sim é exercício com sentido. A cada movimento, uma gargalhada deliciosa de recompensa! E foi assim que eu fiz a minha escolha. A escolha de me aceitar e não me condenar tanto. Talvez não por acaso, tenho recebido muitos elogios nos últimos tempos...

Anninha, como vc escreve e descreve bem! adooorei. É isso aí. bjs, Lili
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