segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Amamentar ou não - Sem culpas!

Desde que tive o Bento, uma das coisas que futuras mamães mais me perguntam é sobre a amamentação. As dúvidas são muitas e eu não costumo fazer rodeios. Falo da minha experiência com franqueza, sem medo de julgamentos alheios. Até porque se tem uma coisa que, na minha opinião, prejudica a amamentação é a falta de informações verdadeiras sobre ela. Afinal, nós somos induzidos a acreditar por filmes e campanhas publicitárias que vamos colocar nosso bebê no peito e ele vai mamar, mamar e mamar feliz da vida e todos seremos felizes para sempre. E, definitivamente, não é assim que as coisas acontecem. 

Pode ser até que gere polêmica, mas a minha opinião sobre as campanhas de incentivo a amamentação não é muito positiva. Acredito sim no poder do leite materno, até porque milhares de pesquisas comprovam isso, mas acho um equívoco você pressionar as mulheres a fazê-lo. Porque pode não parecer, mas é assim que muitas se sentem: pressionadas pela sociedade que acredita que mãe que não dá o peito não é mãe. E isso torna tudo tão mais difícil. 

Eu conheço mulheres que não conseguiram amamentar por diferentes razões. Uma delas, por ter o bico do seio invertido, o que significa que o mamilo da mulher não tem um formato que facilita a sucção do bebê. Essa situação é muito mais comum do que se imagina e muitas mães que passam por isso vivem momentos difíceis até aceitarem que não poderão amamentar. "Você se sente uma incapaz. É horrível. As pessoas insistem para você continuar tentando, enquanto o seu filho morre de fome por não conseguir sugar nada", conta uma mãe que não quis se identificar. Veja só, ela tem até vergonha de dizer aos outros que não amamentou. Depois de muito relutar, essa mãe foi orientada a tirar seu leite com uma bomba e oferecer em uma mamadeira a seu bebê. "Foi uma libertação para mim e para ele", descreve. 

Minha experiência com o Bento foi de muita dor nos primeiros dias. Mas muita dor mesmo.  Meu peito ficou ferido e eu fui atrás de todos os métodos para superar aquele momento difícil. As conchas de silicone foram as primeiras aliadas. Com elas, seu bico não encosta no tecido do sutiã e tem tempo de cicatrizar entre uma mamada e outra. Depois descobri o bico de silicone. Você coloca em cima de seu bico e o bebê suga por ele, sem encostar no local machucado, também dando mais tempo para a cicatrização. As pomadas não foram muito eficazes no meu caso - nem mesmo a gringa lansinoh. Mas com todos esses métodos foi possível aguentar a dor e após duas semanas de sofrimento, o ato de amamentar se tornou bastante prazeroso para ambos. Mas conheço mulheres que não conseguiram passar por esse momento. Já ouvi casos de bicos que ficaram pendurados! E quem é que vai julgar? 

Uma vez ouvi um depoimento muito interessante de uma mulher que tinha superado um câncer de mama e depois engravidou. "Amamentar não se resume em dar o peito ao bebê. O ato de alimentar seu filho é o que cria o laço. Eu posso não dar o seio, mas eu o alimento no colinho com todo o carinho e cuidado que uma boa mãe precisa ter nesse momento único". Achei essa colocação perfeita. Nós já estamos cansadas de saber os benefícios do leite materno, mas e os benefícios de se alimentar nosso filho em paz, com tranquilidade? Se por algum motivo, você não pode dar seu seio para seu bebê, não se culpe. E pais, por favor, não julguem suas mulheres! Compreendam que o bem estar da mãe significa o bem estar do filho. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário