quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Já é Carnaval!!! - dicas de blocos infantis



02/02 (Sábado)

Bloco da Pracinha
Onde: Praça Pio XI, Jardim Botânico
Hora: 10h

Bloco da Mamadeira
Onde: Praça General Leandro, Botafogo
Hora: 17h

3/02 (Domingo)

Gigantes da Lira 
Onde: Pracinha da General Glicério, Laranjeiras 
Horas: 10h-14h 

Largo do Machadinho, mas não largo do suquinho.
Onde: Largo do Machado
Hora: 11h-14h

10/02 (Domingo)

Que caquinha é essa?
Onde: Rua Garcia D’ávila esquina com Nascimento Silva, Ipanema
Hora: 10h

11/02 (Segunda)

Banda Infantil de Ipanema
Onde: Praça General Osório
Hora: 17h-19h30

Bloquinho
Onde: Praça Min. Romeiro Neto, Leblon
Hora: 17h-19h

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

E aí, comeu?



"E aí, Bento comeu?". Há dois meses, é com essa frase que começam todos os telefonemas que dou para casa durante a semana. Desde que completou um ano, e passou por uma virose terrível que deu aftas na garganta, ele nunca mais foi o mesmo. Aquele bebê que abria a boca feito um pintinho cada vez que sentia o cheirinho da papinha simplesmente desapareceu. E eu que pensava que tinha dado a sorte dele comer de tudo, bem diferente de mim, que segundo minha mãe, já cuspia os legumes desde sempre...

E o que faz uma criança parar de comer? Dentes nascendo? É, pode ser... Mudança de papinha para sólidos? Pode ser também, já que algumas crianças têm preguiça de mastigar. Conheço mães que, cansadas da guerra na hora de comer, acabam oferecendo papinha para crianças já consideradas bem "velhinhas" pra isso. Mudança no ritmo do crescimento? É o que alguns médicos dizem. Segundo eles, isso pode causar falta de apetite. Seja lá o que for, a verdade é que passar uma hora dando comida para uma criança que vira a cara, chora, bate na colher, cospe tudo e até joga o prato no chão, é desesperador. Primeiro, porque a gente se preocupa. Segundo, porque é cansativo mesmo! 

Dia desses eu vivi o meu limite quando Bento deu uma palmada inesperada no prato e eu vi o a comida voar para todos os lados na sala... Perdi a paciência e dei um grito que o fez começar a chorar. Me senti desequilibrada e culpada. Disse ao Bruno que assim que ele começar a entender um pouco mais da vida vou mostrar uma foto das crianças desnutridas na Somália e  explicar: "Bento, meu filho, está vendo isso? Chama-se desnutrição e é causada pela falta do que comer. Muitas crianças no mundo não tem o que comer e morrem por isso. Então meu amor se você não quer comer, simplesmente diga isso para a mamãe, mas JAMAIS jogue comida no chão". Pronto, simples assim. 

Mas a partir desse dia, decidi que a hora de comer não poderia mais ser tão estressante. Para começar, resolvi acreditar naquele papo de pediatra "Ele não vai ficar desnutrido porque deixou de comer direito um dia". Então, se Bento não quer comer, não come. Tento oferecer lanchinhos, como frutinhas, geleia de mocotó, gelatina e outros. E assim vamos. Tem dias que ele come super bem e outros que fica de manha. Ah é. Por que além do dente e de todas as mudanças, também tem essa opção. E eu já reparei que o Bento e sua personalidade forte implacável fazem manha na hora de comer. É tipo assim: ele sinaliza "mãe, quero aquela garrafinha de plástico que está na mesa". Enquanto eu não dou, ele vira a cara para a comida. E quando eu cedo e entrego a bendita garrafinha - ou qualquer outro objeto que lhe pareça interessante, como chaves (impressionante a paixão por chave!) - o apetite aparece assim, como que por um milagre. Então, no caso do Bento, às vezes trata-se apenas de descobrir o porquê da manha do momento. O que também me preocupa, já que ele não pode simplesmente aceitar comer quando fazemos o que ele quer. Mas aí estamos falando de outra guerra, que vale um post só pra ela. 

Aproveitando o tema do post, fiz uma pequena entrevista com a nutricionista Nara Corona, que acaba de lançar a fan page Nara&Duda, junto com a nutricionista Maria Eduarda Ourivio.  Na página você encontra excelentes dicas de alimentação para grávidas e bebês. As duas sócias, que antes de ser tornar mães de duas lindas menininhas, respectivamente, já trabalhavam na área infantil dando consultoria em creches e escolas, resolveram se concentrar em atender de forma personalizada. Hoje, elas visitam grávidas, mamães e seus bebês, para auxiliar numa alimentação saudável e funcional. "São mil dúvidas com relação a alimentação, preparo, o que escolher, entre outras coisas, que inclusive nós tivemos quando as nossas pequenas começaram a comer, foi quando no especializamos!", contou Nara. Em breve, a dupla vai abrir um espaço para atender esse público. 

1) Quais são as maiores dúvidas dos pais a respeito da alimentação de seus bebês?

De cara é como começar, por onde começar. Imagina que um bebê nunca experimentou outra consistência diferente da líquida, e de uma hora pra outra, temos que introduzir alimentos mais pastosos e ensiná-los a mastigar. É tudo muito novo! Depois, as principais dúvidas são com relação ao modo de preparar a comida do bebê, quais alimentos escolher e como variar.

2) Qual a melhor maneira de fazer as mudanças na alimentação (do leite materno à introdução de papinhas. Das papinhas para a comidinha e etc...)?

A transição do LM para os alimentos sólidos deve ser feita com cuidado e atenção às possíveis reações que o bebê pode ter com cada alimento novo, por isso devem ser feitas um a um e sem pressa na evolução. A forma de preparo e o cuidado com a higiene também são fundamentais nesse momento, porque podem evitar contaminações.

3) Qual a quantidade ideal de papinha/ comidinha por refeição e como deve ser a evolução disso?

A quantidade vai ser determinada pelo bebê, varia de um pra outro e deve ser respeitada, acontecerá conforme a percepção de quem oferece.

4) Quais são as fases mais críticas na alimentação do bebê?

É muito comum o bebê apresentar anorexia própria da idade (redução do apetite) relacionada ao crescimento dos dentinhos, que pode acontecer a qualquer momento. A partir de 1 ano a velocidade de crescimento diminui bastante o que também pode ter reflexos no apetite.

5) Nesses casos, qual a melhor forma de manter o bebê alimentado?

Oferecendo alimentos mais calóricos e de qualidade como banana, abacate e o próprio leite. Se o bebê aceitar bem o leite ele pode ser fortificado com frutas, farinha a base de arroz ou aveia dependendo da idade. Nas principais refeições podem ser oferecidos arroz ou raízes como batatas e aipim. Lembrando que cada bebê tem uma preferência, alguns preferem alimentos mais pastosos como purês e outros alimentos mais crocantes, por isso a forma de preparar vai variar de acordo com cada bebê.

6) Na correria do dia a dia e, principalmente, do fim de semana, para não cair na papinha pronta, muitas mães congelam a refeição. Mas ficam algumas dúvidas: quanto tempo a papinha pode ficar congelada? Tem problema dar o mesmo cardápio por alguns dias seguidos?

A comida pode ser perfeitamente congelada para o fim de semana. Se os pais desejam que seus filhos se alimentem de forma saudável com alimentos frescos devem congelar o menor tempo possível, dentro do necessário. Se for preciso congelar as refeições da semana toda, não é problema, mas sempre que puder oferecer uma refeição fresquinha, o sabor vai ser bem mais intenso.

Quanto ao cardápio o ideal é que haja uma rotatividade evitando a monotonia, sempre que possível evitando transtornos para os pais. 

7) Em caso de precisar partir para uma papinha pronta, quais são as opções de papinhas prontas orgânicas?

Opções mais saudáveis no mercado seriam as papinhas do Empório da Papinha e da marca Jasmine, são as únicas marcas orgânicas nacionais.

8) Quais alimentos não podem faltar no cardápio do bebê?

Uma opção de carne (ou ovo inteiro) + 1 raíz ou arroz + uma opção de legumes verdes + uma leguminosa ( feijões;lentilha;ervilha) + uma opção laranja em dias alternados

9) Quais alimentos devem ser evitados?


Todos ricos em açúcar, sal, gordura saturada e aditivos químicos.

10) O bebê vai crescendo e a gente sabe que fica cada vez mais difícil mantê-los longe das guloseimas. Nas festinhas, então, é praticamente impossível. Com qual idade é recomendado que o bebê experimente esses alimentos (brigadeiro, sorvete e etc)?

Procure levar frutas ou biscoitos mais saudáveis e de preferência dê um lanche antes de sair de casa. Não há melhor idade, mas também não há razão para oferecer alimentos exageradamente doces ou gordurosos na fase em que o paladar está sendo formado.

11) Além de frutas, o que podemos oferecer para substituir, de forma saudável, esses alimentos (sugestões de coisas gostosinhas, mas não tão gordurosas ou saudáveis)?

Polvilho, bolo caseiro de frutas, milho verde, e outros tipos de snacks que podem ser encontrados com facilidade em lojas de produtos naturais preparados com ingredientes orgânicos.


Nara Corona é especializada em Nutrição Clínica Funcional 
e hoje atua na área infantil. Ela é esposa do Miguel e mãe de
uma linda menininha, Nina, de 1 ano e meio.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

E ela continua lá...


E aí que você pari, a criança sai de dentro de você, é lindo e emocionante, mas quando é chegada a hora de se olhar no espelho, esperando ansiosa pelo reencontro com você mesma, vem o susto: a barriga continua lá, grande, inchada e o que é pior: mole! Desculpe moça grávida, se te assustei com essa declaração. Mas o objetivo é esse mesmo: chamar sua atenção para algo que leva muitas mulheres à depressão e problemas sérios no relacionamento depois de dar a luz.

É claro que tem suas exceções, mas a grande maioria das mulheres demora um tempo para recuperar o corpo. Até lá, a gente passa o maior sufoco com aquelas cintas modeladoras que prometem milagres, mas não são nada sem o acompanhamento de um exercício e alimentação regrada. Mas sinceramente? Nada disso é real. Não é real malhar logo após ter um bebê, não é real comer cheia de restrições enquanto se amamenta e quase não sai de casa. A boa notícia é que amamentar emagrece. E isso é real! Em duas semanas, perdi oito quilos. Mas a barriga continuou lá.

Segundo os médicos, seu útero leva em média 4 meses para voltar ao tamanho normal. Ou seja, esse é mais ou menos o período que você deve dar a você mesma para começar a fazer avaliações. No meu caso, um ano depois, parei realmente para me preocupar com isso. A barriga continua aqui. Menor, claro, mas nada parecida com o que era antes.

Dia desses, passei uma situação inacreditável. Resolvi tirar o horário do almoço para me cuidar. Fiz as unhas e fui me depilar. Ao entrar na cabine da depiladora, tirar a roupa e me deitar, pedi a ela que tivesse cuidado ao passar a cera na cicatriz da cesárea, pois ainda tinha uma sensibilidade maior nessa região. Aí então começou o diálogo surreal:

- Há quanto tempo você teve neném?
- Há quase dez meses.
- Mas você usou cinta?
- Usei um pouco.
- Ah, mas deveria ter usado mais. Sua barriga ainda está grande. Eu, se fosse você, ainda usaria a cinta para tentar diminuir mais. Quando você entrou aqui, até achei que estivesse grávida!

A vontade era de mandar ela para aquele lugar, me vestir e ir embora. Mas respirei fundo, aguentei até o fim, e fui embora arrasada... Sim, ela foi uma insensível e sem noção, mas me falou a verdade. E ter essa noção foi o que me ferrou. Passei dias me sentindo a mulher mais feia e acabada do mundo. Me matriculei numa academia e durante uma semana fiz o esforço de acordar às 6h da manhã, e não para ficar com o Bento, mas para vestir uma lycra e ir fazer localizada - aquela aula mais sem sentido da face da terra. Chegava morta, nem via Bento direito, tomava banho e corria para o trabalho. A noite chegava em casa, colocava Bento para dormir e ia dormir. E assim foi durante cinco dias até eu perceber... Perceber que, por agora, o importante mesmo não era gastar o único tempo que tinha com meu filho durante a semana para perder a barriga. Mas sim estar com ele o máximo que posso. Na primeira manhã sem vestir a lycra, eu malhei no tapete de borracha, de pijama mesmo, brincando de caminhão de carga com o Bento. E que malhação gostosa!!! Isso sim é exercício com sentido. A cada movimento, uma gargalhada deliciosa de recompensa! E foi assim que eu fiz a minha escolha. A escolha de me aceitar e não me condenar tanto. Talvez não por acaso, tenho recebido muitos elogios nos últimos tempos...


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Parabéns Ben Ben!!!


Há um ano eu ganhei novos olhos. Olhos castanhos claros, com cílios fartos, como sempre sonhei! Olhos vivos, ligados em tudo e todos. Ganhei um novo olhar. Há um ano passei a prestar mais atenção nas cores. E percebi como elas dão sentido à vida! Passei a perceber mais na expressão dos rostos e ser mais sensível, então, à tristeza, alegria, apreensão e os mais diversos sentimentos das pessoas que me cercam. Passei a perceber como as folhas são bonitas e o quanto a água é magica! Meus novos olhos me mostram todos os dias que tudo o que preciso para ser feliz está bem aqui, ao meu alcance. E quando eu sinto sono e tenho que fechá-los, eu não quero! Afinal, é tão difícil deixar de olhar tantas coisas bonitas... Mas sem eu perceber, eles se fecham. E quando se abrem novamente, quanta alegria! Lá está esse mundão todo à minha espera para começarmos a olhar tudo outra vez! Eu e meus olhos novos. Eles são pequenos, mas tão mais sábios dos que se aposentaram com 27 anos. Mais precisamente às 18h29, do dia 30 de Outubro de 2011. Foi naquele momento que a vida me deu o Bento de presente e seus lindos olhinhos curiosos, pelos quais agora enxergo o mundo com muito mais prazer. Obrigada meu filho! Parabéns pelo seu um aninho de vida!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Você sabe lidar com as descobertas sexuais de uma criança?

As fotos dessa matéria foram feitas pela fotógrafa Allana Amorim. A futura mamãe da Flora, que deve nascer em dezembro, nos emprestou seu talento e sensibilidade de grávida nesse lindo ensaio. Confira o álbum aqui. 


O que faz você escolher uma creche para o seu filho? Estrutura, limpeza, higiene, equipe e atividades? É com isso que praticamente todos os pais se preocupam na hora dessa escolha difícil. O que quase ninguém pensa é qual a linha dessas instituições. E, principalmente, como a creche lida com a sexualidade infantil. Aí você vai pensar: “Claro que não penso nisso”.  Aí eu que te pergunto “E por que não?”. Afinal, é exatamente nessa idade (entre 0 e 5 anos) que os pequenos fazem o autoconhecimento de seus corpos e também tem curiosidades sobre o corpo dos coleguinhas. É exatamente nessa fase que as perguntas constrangedoras acontecem. E a condução dessas situações irá influenciar muito a vida dessas crianças. 

Mas a questão toda é que mesmo que você perguntasse na creche como eles reagem nesses momentos delicados, poucas teriam a resposta na ponta da língua. A verdade é que grande parte desses profissionais não está bem preparado para encarar a sexualidade infantil de frente. “O comportamento mais comum é fingir que não vê, distrair a criança e não falar sobre o assunto”, conta a psicóloga Virgínia Georg Schindhelm. Há sete anos, ela se “infiltrou” em duas creches para estudar o comportamento dos profissionais da área quando defrontados com assuntos que envolvem sexualidade e gênero. Defendeu uma tese de mestrado e agora termina um doutorado sobre o assunto. O Família do Ben bateu um papo com essa especialista e falamos de tudo um pouco: masturbação, amor, respeito, intimidade, preconceito etc. Veja na entrevista a seguir.

1)      Como você se tornou especialista em sexualidade infantil?

Ao fazer uma especialização em sexologia humana, chamou-me muito a atenção como faltava material sobre a sexualidade infantil. Na busca por um tema para a tese de mestrado, percebi que havia uma lacuna na educação infantil. A grande maioria dos profissionais fez pedagogia e não existe em nenhum momento um espaço para se falar, ler ou discutir sobre isso no curso.  Então achei que seria de grande ajuda um estudo mais profundo sobre a sexualidade infantil no ambiente escolar.

2)      Qual a responsabilidade da creche na formação de uma criança?

O maior desafio do ambiente escolar hoje é o binômio cuidar-educar. É importante parar para pensar: O que a creche faz? Cuida ou educa? E o que é educar? É cuidar também? E quando se cuida se educa também? Quando você troca a fralda de um bebê, você faz isso meramente como um instrumento ou você conversa com esse bebê? Quando você promove essa experiência com uma criança, você não está só cuidando dela, você está criando um vínculo de intimidade, de segurança, respeito, carinho. Você está ensinando a ela que a região genital é uma região mais sensível, que precisa ser tratada com respeito, com carinho. Isso é educar.

3) Na sua tese, você relata um diferencial de uma das creches usadas na pesquisa de campo: havia homens no quadro de cuidadores/educadores. Por que 99% dessas instituições só têm funcionárias mulheres?

A história da educação no Brasil mostra que a feminilização do magistério infantil vem de muitos anos. Eu acompanhei oito rapazes que trabalham em creche e foi muito interessante. O primeiro a chegar relatou que ao contratá-lo, a instituição o apresentou aos pais e explicou que ele participaria de tudo, inclusive da higiene das crianças. Surpreendentemente, na época, apenas uma família não concordou e retirou sua filha da creche.  Para que a adaptação desses funcionários fosse feita, com maior tranquilidade por parte deles e dos pais, ficou decidido que seria feita uma "dobradinha": sempre trabalhariam um homem e uma mulher juntos, principalmente, nos cuidados com o corpo. Alguns anos depois, os pais já reconhecem os benefícios da presença masculina na creche e tem alguns que até reclamam quando não há um educador para a turma de seus filhos. É realmente muito saudável e importante, inclusive, para os meninos, que se identificam.

4)      Com que idade e como uma criança demonstra sua sexualidade?

Quando você tira a fralda de um bebê e ele leva a mãozinha aos genitais, ele acha graça e gosta. Aquilo que nós chamamos de masturbação, eu gosto de chamar de auto exploração ou autoconhecimento. A área genital da criança é muito sensível e que traz muito prazer. Porém, a nossa sociedade ainda é muito tradicional nesses conceitos, de modo que a área genital não é uma área que deva ser tocada ou mostrada. Por isso a masturbação incomoda tanto o adulto. A criança não está fazendo nada para mostrar para o adulto. Ela simplesmente está explorando uma área do corpo que ela sente muito prazer.

5)  Há preocupação de menos, tanto dos pais quanto das instituições, de ter uma ideologia clara de comportamento a ser seguida, assim como acontece nos colégios de ensino fundamental, por exemplo?

Praticamente nenhum pai chega na creche e pede para ver qual a política pedagógica dessa escola. O que muitas vezes os relatos me mostram é que, no fim do dia, os pais reclamam porque o filho está indo para casa sujo, mas não se interessam em saber qual o trabalho e atividades foram feitos naquele dia. Se elas forem bem higienizadas, bem alimentadas, os pais acreditam que a criança está bem cuidada. E isso é um equívoco. É muito importante que os pais cobrem uma proposta pedagógica das instituições. Escolas de educação infantil sérias têm projetos políticos pedagógicos muito sérios e bem elaborados. 

6)   Em trecho de seu trabalho você fala sobre a imposição de valores sobre as crianças. ainda é notória a existência de uma política detentora do saber e do poder que submete a cultura infantil à cultura do adulto pressupondo e prejulgando o que os pequenos podem/não podem saber e o que devem/não devem fazer. Nas relações de poder que perpassam pelos adultos e crianças, nossa sociedade ainda impõe valores e ideologias de uma cultura sem o respeito à natureza infantil, às suas necessidades e aos seus interesses”. Como podemos evitar esse comportamento?

Um exemplo dessa relação foi uma aula de artes que presenciei. As crianças tinham que criar árvores. A educadora disponibilizou pedaços de papel marrom para que eles fizessem os troncos e pedaços de papel verdes para que fizessem as folhas. As árvores, claro, saíram todas iguais. Aí é o momento de parar pra pensar: Por quê? Todas as árvores têm troncos marrons e folhas verdes? Não se deu elementos para essas crianças criarem. Não é você quem tem que resolver qual é a cor da árvore. Outro exemplo: uma professora distribuiu folhas com desenho para as crianças colorirem. Antes de elas pintarem, a professora ensinou que a grama era verde, o sol amarelo e as nuvens azuis. Uma das crianças pintou as nuvens de preto. A professora disse que estava errado e mandou-o fazer de novo. Mas ele voltou a entregar a mesma nuvem preta. Foi então que eu perguntei a ela: “Fulana, que cor são as nuvens quando chove? Elas não podem mesmo ser pretas?”. Então ela resolveu aceitar o desenho. Temos que ter a sensibilidade de não passar essas verdades construídas. Deixar a criança criar.

Muitos educadores entram na relação pedagógica com apenas a intenção de ensinar e não se abrem para aprender com essas crianças. E ensinam o que afinal? Que a nuvem só pode ser azul ou que a árvore só pode ser marrom e verde? Não é por aí. Muitas vezes você mostra figuras para uma criança, que para você são obvias, e a criança tem uma interpretação totalmente diferente. Por que você não pode aprender com elas e saber o que elas querem dizer?

7)   Muitos pais desconfiam da educação feita na base do diálogo, por achar que essa liberdade não combina com disciplina. Como diálogo e disciplina podem caminhar juntos?

O conceito de disciplina vem de um ranço histórico. Os primeiros modelos de escola que nós tivemos foram as jesuíticas, onde os eclesiásticos ensinavam o conteúdo que considerassem adequado. Eles que construíam como queriam a moral de uma criança. Esse modelo ainda perdura até hoje, por isso a árvore só pode ser marrom e verde a nuvem tem que ser azul. É aquilo que chamamos de conteudista, ou seja, quanto mais conteúdo você ensina para a criança, mais ela sabe. A questão é: sabe mesmo? Eu aprendo números, nomes, datas e o que mais? São modelos onde espaço para pensar, criar e refletir não existe. O método do “eu ensino e você fica aí quieto”. Eu já vi escolas de educação infantil onde a criança que acaba o trabalhinho, entrega para a professora, volta para o seu lugar, cruza os braços e baixa a cabeça. “Não é a sua hora de falar, você levanta o dedo e na sua hora eu chamo”. Mas quando a criança tem uma ideia na cabeça, ela quer mostrar. Se você esperar dez minutos, ela esquece. E você perde uma grande oportunidade de ouvir. A disciplina não vai por aí. O fato de você dar voz para essa criança não quer dizer que ela é indisciplinada. A educação infantil precisa dar esse espaço para as crianças. Quando ela é respeitada e é ouvida no momento que quer falar, ela também vai saber ouvir.

8) A maioria dos educadores de frente para uma situação em que a sexualidade infantil se expõe, como a masturbação, por exemplo, finge que não vê e não fala sobre o assunto. O que tem de errado nesse comportamento?

Esse assunto com certeza é um dos que mais angustiam os educadores. Eu começo sempre dando um exemplo: se você tem uma criança que faz um cachinho no cabelo e que fica horas enrolando o cabelinho, aquilo é uma forma de prazer. Você nega isso a essa criança ou você diz “tira a mão daí?”? Não. Mas se ele toca nos seus genitais, na grande maioria das vezes, você finge que não vê ou você manda tirar a mão. Fora os que gritam e etc. Não existe uma maneira certa para todo mundo, mas eu sugiro que em primeiro lugar você mostre que você está vendo. Quando você finge que não vê, ela sabe que você está vendo e isso pode ser mal interpretado. Em segundo lugar, eu digo que temos que ter naturalidade para falar com a criança sobre isso. Usarmos o mesmo tom de quando falamos sobre outros assuntos. “Eu estou vendo que você está fazendo uma coisa que você está gostando”. Conversa, fala baixinho. Se ela sentir que você não está brigando, está vendo o que ela está fazendo e está respeitando, você cria um canal de intimidade com essa criança extremamente importante. Assim, quando ela tiver qualquer questão, ela virá a você pra falar.

9)      E o que fazer quando encontramos duas crianças se tocando entre si?

Em primeiro lugar é entender que a criança não tem maldade. Ela tem curiosidade. Há muitos pais que se incomodam ao saber que seus filhos homens, por exemplo, tocam outros meninos. Nesse momento, é importante ficar calmo, não brigar, mas conversar.
É mais comum encontrar os meninos nessas situações e isso não quer dizer que de maneira nenhuma que essa criança seja homossexual. Na nossa cultura o tamanho do pênis está sempre associado a uma virilidade. É comum que os meninos de 3 ou 4 anos já abaixem as calças para comparar os tamanhos.  Então ao se deparar com essa situação, o diálogo é sempre o melhor caminho.

10)   Pais e creche devem dialogar sobre isso?

A parceria com os pais é sempre muito positiva. É importante que eles saibam como a creche lida com isso, inclusive para ajudá-los também a conduzir essa situação em casa. E esse alinhamento é muito importante também para não confundir a criança.

11)   O que as creches devem fazer para preparar melhor seus profissionais?

A proposta de uma formação continuada é um primeiro passo. Um momento em que você dá espaço para que educadores falem sobre todas essas questões que eles vivenciam na creche, sejam de gênero, sexualidade ou mesmo de respeito. Muitas vezes, quando chego nas creches para essas conversas sou recebida com alívio. “Nossa, ainda bem que você apareceu para podermos falar sobre isso”. Deve-se investir na formação continuada, já que na formação os pedagogos não têm isso. No caso dos psicólogos que trabalham nessas instituições, o que existe no curso é a parte teórica.  Mas do que adianta eu saber que existem as fases oral, anal, período de latência em algumas situações? O que eu faço com isso quando a criança esta se masturbando? Ou o que eu faço quando a criança abaixa a calça do outro para manipular os genitais do outro? Ou quando as crianças se beijam na boca? “Ah, será que a criança está na fase oral? Não, mas a fase oral era de 0 a 2 anos”. Tá e aí? O educador quer uma resposta. O que eu faço? Por outro lado eu digo. Não existe uma regra. No fundo as crianças são diferentes, as experiências que elas vivem são diferentes. Mas se o educador se sente mais seguro, tendo clareza dos conceitos, tentando identificar naquilo que a criança está fazendo como algo simples, de curiosidade, de prazer com ela mesma, desmistifica. E eu tenho na minha tese relatos do quanto isso muda. Não fica pensando se está certo ou tá errado. Naquele momento foi legal pra você, foi legal para a criança. Então ótimo, é isso. Não quer dizer que com outra criança dará certo.

12)   Agora, uma dica para os pais e educadores. "De onde eu vim?”. Em algum momento essa pergunta vai chegar. Qual a melhor maneira de explicar isso a uma criança?

Eu sempre enfatizo a importância de falar a verdade para as crianças, de maneira clara e objetiva. Tipo: "você nasceu da barriga da mamãe" e acrescento que é sempre bom ilustrar esta fala com uma imagem. Pela imagem a criança não fantasia e entende melhor. Ou ainda "você veio de um gostoso namoro/amor/carinho entre o papai e a mamãe" e procure mostrar essa imagem. 


13)   Como esses sete anos de especialização mudaram sua vida?

Aprendi a importância de escutar a criança e isso me ajudou a desconstruir uma série de pré-conceitos, tabus e mitos que eu mesma tinha. Porque eu também venho de uma cultura escolar e familiar tradicional. Esse aprendizado só me fez lamentar uma coisa. Gostaria que isso tivesse acontecido antes na minha vida. Eu poderia ter criado meus filhos de uma forma diferente. Hoje, eu procuro lidar com o meu neto, dentro das minhas possibilidades, de uma forma diferente. As crianças estão aí para nos fazer ver o mundo de uma forma diferente. 


Vírgínia é pesquisadora da UFF/CNPQ e atende em eu consultório como psicóloga, sexóloga e terapeuta sexual. É esposa de Erwin, mãe de Vivian e Richards, e vó dedicada de Thomas, um menininho esperto que adora fazer perguntas.



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O mito do bebê que dorme a noite inteira

Já cheguei ao meu limite físico e emocional de madrugada. As noite mal dormidas acabam comigo. Nesses 10 meses já tivemos altos e baixos. Noites em que Bento acordou apenas uma vez, noites em que ele acordou cinco vezes. E duas, apenas duas noites que ele dormiu de meia noite às 6h. É, acreditem, essas foram nossas melhores noites nos últimos meses. E a angústia de não ver um fim para isso é de matar. 

Bento é um bebê incrível. Cheio de personalidade e sorrisos, ele só nos traz alegria até que anoitece... Ele não custa para pegar no sono. Às 21h já está cambaleando e é difícil segurá-lo por mais tempo acordado. O problema é que nós já sabemos que algumas horas depois ele vai despertar. Vai chorar, vai querer algo que não sabemos o que é. Na dúvida e com sono, muito sono, damos leite. Na maioria das vezes, ele volta a dormir. Mas daqui algumas horas ele vai despertar novamente. Provavelmente ainda não serão nem 6 horas da manhã quando ele resolverá acordar de vez. 

É uma luta. A batalha de não dormir e ter que estar de pé e ligada para o trabalho durante o dia é algo que não sei como consegui levar até aqui. E não tenho a menor ideia de como vou continuar levando. E sem querer ofender ninguém, pra mim, até que Bento me prove o contrário, mãe que diz que o filho bebê dorme a noite toda mente (ou tem um conceito de "noite inteira" diferente do meu). Nos primeiros meses de vida então, é mentira lavada. Até porquê todo mundo sabe que bebê recém-nascido dorme muito, mas precisa se alimentar de três em três horas. E eu confesso: toda vez que escuto a frase "Ah, meu filho sempre dormiu a noite toda", eu sinto um misto de inveja, raiva, ódio e admiração, entre outras coisas. 

E, claro, a declaração sempre vem acompanhada dos conselhos dessas mães exemplares que conseguem fazer seus filhos dormirem a noite toda, o que, definitivamente, não é o meu caso. Seguem algumas das dicas que eu já tentei seguir e o resultado delas com o meu filho.

1 - Coloca camomila na água do banho da noite.

Não fez efeito.

2 - Dê uma mamadeira para ele dormindo, quando você for deitar.

Simplesmente não mamou. Insistindo, ele acorda chorando. 

3 - Bote ele no berço, conte uma história em tom de voz baixo.

Fica em pé no berço e quer interagir com a história, dando gritos, o que o deixa mais agitado.

4 - Ao acordar de madrugada, chorando, vá no berço e explique para ele que é hora de dormir.

Ele continua chorando, chorando, chorando.

5 - Nada dando certo, coloque na sua cama.

Ele dorme e a gente não. 

Me pergunto todos os dias o que fiz de errado. E já cheguei a algumas conclusões. Uma delas é que as milhares de viroses que Bento teve nos primeiros meses de vida nos fizeram ter medo de deixá-lo chorando no berço. Vai que ele está sentindo algo? Acostumamos mal. Fizemos tudo o que os especialistas condenam: ninamos no colo, fizemos carinho, colocamos na nossa cama, demos leitinho. Aí, agora, que ele está bem e saudável, continua querendo colinho, carinho e leitinho para dormir. Mesmo que isso seja às 2h, 3h, 4h da manhã. 

Aí você pensa: a questão agora é como reverter isso. Só que na verdade eu e Bruno já cansamos dos livros, dos especialistas, das dicas e de tudo mais. Chegamos num ponto que achamos mais simples aceitar que nosso filho não dorme a noite toda e pronto. Aí a questão virou outra: como viver sem dormir?

Café e banho gelado têm sido bons aliados.