"E
aí, Bento comeu?". Há dois meses, é com essa frase que começam todos os
telefonemas que dou para casa durante a semana. Desde que completou um ano, e
passou por uma virose terrível que deu aftas na garganta, ele nunca mais foi o
mesmo. Aquele bebê que abria a boca
feito um pintinho cada vez que sentia o cheirinho da papinha simplesmente
desapareceu. E eu que pensava que tinha dado a sorte dele comer de tudo, bem
diferente de mim, que segundo minha mãe, já cuspia os legumes desde sempre...
E
o que faz uma criança parar de comer? Dentes nascendo? É, pode ser... Mudança
de papinha para sólidos? Pode ser também, já que algumas crianças têm preguiça
de mastigar. Conheço mães que, cansadas da guerra na hora de comer, acabam
oferecendo papinha para crianças já consideradas bem "velhinhas" pra
isso. Mudança no ritmo do crescimento? É o que alguns médicos dizem. Segundo
eles, isso pode causar falta de apetite. Seja lá o que for, a verdade é que
passar uma hora dando comida para uma criança que vira a cara, chora, bate na
colher, cospe tudo e até joga o prato no chão, é desesperador. Primeiro, porque
a gente se preocupa. Segundo, porque é cansativo mesmo!
Dia
desses eu vivi o meu limite quando Bento deu uma palmada inesperada no prato e
eu vi o a comida voar para todos os lados na sala... Perdi a paciência e dei um
grito que o fez começar a chorar. Me senti desequilibrada e culpada. Disse ao
Bruno que assim que ele começar a entender um pouco mais da vida vou mostrar uma
foto das crianças desnutridas na Somália e explicar: "Bento, meu
filho, está vendo isso? Chama-se desnutrição e é causada pela falta do que
comer. Muitas crianças no mundo não tem o que comer e morrem por isso. Então
meu amor se você não quer comer, simplesmente diga isso para a mamãe, mas
JAMAIS jogue comida no chão". Pronto, simples assim.
Mas
a partir desse dia, decidi que a hora de comer não poderia mais ser tão
estressante. Para começar, resolvi acreditar naquele papo de pediatra "Ele
não vai ficar desnutrido porque deixou de comer direito um dia". Então, se
Bento não quer comer, não come. Tento oferecer lanchinhos, como frutinhas,
geleia de mocotó, gelatina e outros. E assim vamos. Tem dias que ele come super
bem e outros que fica de manha. Ah é. Por que além do dente e de todas as
mudanças, também tem essa opção. E eu já reparei que o Bento e sua
personalidade forte implacável fazem manha na hora de comer. É tipo assim: ele
sinaliza "mãe, quero aquela garrafinha de plástico que está na mesa".
Enquanto eu não dou, ele vira a cara para a comida. E quando eu cedo e entrego
a bendita garrafinha - ou qualquer outro objeto que lhe pareça interessante,
como chaves (impressionante a paixão por chave!) - o apetite aparece assim,
como que por um milagre. Então, no caso do Bento, às vezes trata-se apenas de
descobrir o porquê da manha do momento. O que também me preocupa, já que ele
não pode simplesmente aceitar comer quando fazemos o que ele quer. Mas aí
estamos falando de outra guerra, que vale um post só pra ela.
Aproveitando
o tema do post, fiz uma pequena entrevista com a nutricionista Nara Corona, que
acaba de lançar a fan page Nara&Duda, junto com a nutricionista Maria
Eduarda Ourivio. Na página você encontra excelentes dicas de alimentação
para grávidas e bebês. As duas sócias, que antes de ser tornar mães de duas
lindas menininhas, respectivamente, já trabalhavam na área infantil dando
consultoria em creches e escolas, resolveram se concentrar em atender de forma
personalizada. Hoje, elas visitam grávidas, mamães e seus bebês, para auxiliar
numa alimentação saudável e funcional. "São mil dúvidas com relação a
alimentação, preparo, o que escolher, entre outras coisas, que inclusive nós
tivemos quando as nossas pequenas começaram a comer, foi quando no
especializamos!", contou Nara. Em breve, a dupla vai abrir um espaço para
atender esse público.
1) Quais são as maiores dúvidas dos pais a respeito da alimentação de seus bebês?
De cara é como
começar, por onde começar. Imagina que um bebê nunca experimentou outra consistência
diferente da líquida, e de uma hora pra outra, temos que introduzir alimentos
mais pastosos e ensiná-los a mastigar. É tudo muito novo! Depois, as principais
dúvidas são com relação ao modo de preparar a comida do bebê, quais alimentos
escolher e como variar.
2) Qual a melhor maneira de fazer as mudanças na
alimentação (do leite materno à introdução de papinhas. Das papinhas para a
comidinha e etc...)?
A transição do LM
para os alimentos sólidos deve ser feita com cuidado e atenção às possíveis
reações que o bebê pode ter com cada alimento novo, por isso devem ser feitas
um a um e sem pressa na evolução. A forma de preparo e o cuidado com a higiene
também são fundamentais nesse momento, porque podem evitar contaminações.
3) Qual a quantidade ideal de papinha/ comidinha
por refeição e como deve ser a evolução disso?
A quantidade vai
ser determinada pelo bebê, varia de um pra outro e deve ser respeitada, acontecerá
conforme a percepção de quem oferece.
4) Quais são as fases
mais críticas na alimentação do bebê?
É muito comum o
bebê apresentar anorexia própria da idade (redução do apetite) relacionada ao
crescimento dos dentinhos, que pode acontecer a qualquer momento. A partir de 1
ano a velocidade de crescimento diminui bastante o que também pode ter reflexos
no apetite.
5) Nesses casos, qual a melhor forma de manter o
bebê alimentado?
Oferecendo
alimentos mais calóricos e de qualidade como banana, abacate e o próprio leite.
Se o bebê aceitar bem o leite ele pode ser fortificado com frutas, farinha a
base de arroz ou aveia dependendo da idade. Nas principais refeições podem ser
oferecidos arroz ou raízes como batatas e aipim. Lembrando que cada bebê tem
uma preferência, alguns preferem alimentos mais pastosos como purês e outros
alimentos mais crocantes, por isso a forma de preparar vai variar de acordo com
cada bebê.
6) Na correria do dia a dia e,
principalmente, do fim de semana, para não cair na papinha pronta, muitas mães
congelam a refeição. Mas ficam algumas dúvidas: quanto tempo a papinha pode
ficar congelada? Tem problema dar o mesmo cardápio por alguns dias seguidos?
A comida pode ser
perfeitamente congelada para o fim de semana. Se os pais desejam que seus
filhos se alimentem de forma saudável com alimentos frescos devem congelar o
menor tempo possível, dentro do necessário. Se for preciso congelar as
refeições da semana toda, não é problema, mas sempre que puder oferecer uma
refeição fresquinha, o sabor vai ser bem mais intenso.
Quanto ao cardápio
o ideal é que haja uma rotatividade evitando a monotonia, sempre que possível
evitando transtornos para os pais.
7) Em caso de precisar partir para uma papinha pronta, quais são as opções de papinhas prontas orgânicas?
Opções mais saudáveis no mercado seriam as papinhas do Empório da Papinha e da marca Jasmine, são as únicas marcas orgânicas nacionais.
7) Em caso de precisar partir para uma papinha pronta, quais são as opções de papinhas prontas orgânicas?
Opções mais saudáveis no mercado seriam as papinhas do Empório da Papinha e da marca Jasmine, são as únicas marcas orgânicas nacionais.
8) Quais alimentos não podem
faltar no cardápio do bebê?
Uma opção de carne (ou ovo inteiro) + 1 raíz ou arroz + uma opção de legumes verdes + uma leguminosa ( feijões;lentilha;ervilha) + uma opção laranja em dias alternados
Uma opção de carne (ou ovo inteiro) + 1 raíz ou arroz + uma opção de legumes verdes + uma leguminosa ( feijões;lentilha;ervilha) + uma opção laranja em dias alternados
9) Quais alimentos devem ser evitados?
Todos ricos em açúcar, sal, gordura saturada e aditivos químicos.
10) O bebê vai crescendo e a
gente sabe que fica cada vez mais difícil mantê-los longe das guloseimas. Nas
festinhas, então, é praticamente impossível. Com qual idade é recomendado que o
bebê experimente esses alimentos (brigadeiro, sorvete e etc)?
Procure levar frutas ou biscoitos mais saudáveis e de preferência dê um lanche antes de sair de casa. Não há melhor idade, mas também não há razão para oferecer alimentos exageradamente doces ou gordurosos na fase em que o paladar está sendo formado.
11) Além de frutas, o que podemos oferecer para substituir, de forma saudável, esses alimentos (sugestões de coisas gostosinhas, mas não tão gordurosas ou saudáveis)?
Polvilho, bolo caseiro de frutas, milho verde, e outros tipos de snacks que podem ser encontrados com facilidade em lojas de produtos naturais preparados com ingredientes orgânicos.
Procure levar frutas ou biscoitos mais saudáveis e de preferência dê um lanche antes de sair de casa. Não há melhor idade, mas também não há razão para oferecer alimentos exageradamente doces ou gordurosos na fase em que o paladar está sendo formado.
11) Além de frutas, o que podemos oferecer para substituir, de forma saudável, esses alimentos (sugestões de coisas gostosinhas, mas não tão gordurosas ou saudáveis)?
Polvilho, bolo caseiro de frutas, milho verde, e outros tipos de snacks que podem ser encontrados com facilidade em lojas de produtos naturais preparados com ingredientes orgânicos.


Amiga, lá em casa já mostrei uma imagem de uma criança desnutrida e, com a Sofia, que é quase moça, não surtiu tanto efeito. O que mais adianta, pelo menos lá em casa, é a norma do "todo dia tem que comer algo que é novo". Uns dias eles gostam, e isso acaba entrando no cardápio, outros não. Eu acabei aceitando essa ideia do "ele não vai ficar desnutrido". Damos muitas frutas pra ela, o que me deixa menos ansiosa... enfim. É dura a vida da bailarina...
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